Introdução
O curso “E por falar em objeto”, inciativa da Diretoria de Ensino e Pesquisa do IPSIN visa oferecer à comunidade de interesse, a oportunidade de aprofundamento em um seminário de muita relevância no ensino de Lacan: o seminário 4, “A relação de objeto”.
Nesse período, Lacan discute a noção de objeto como central para a psicanálise, destituindo a concepção de harmonia que imperava entre os pós-freudianos, restituindo à falta estrutural o fio condutor que leva à dimensão do desejo.
Portanto, revisitar esse período para os que já passaram por ele ou, ainda, iniciar um percurso na orientação lacaniana para os que estão chegando, é interrogar campos nevrálgicos da constituição do sujeito como os três registros lógicos em torno do falo, aprender com o caso Hans e a função paterna e desembocar na sexualidade feminina, como abertura para toda uma clínica contemporânea.
Faz todo sentido o estudo desse seminário que recolhe o frescor de um Lacan no início de seu ensino e que contribui para fundamentar as bases de uma formação que leve em conta um pensamento, seus cortes, avanços e desdobramentos.
Convidamos a todos a explorar um pouco mais desse que é considerado “o primeiro Lacan” através de um programa de ensino cuidadosamente montado pelas coordenadoras do curso, Sandra Conrado e Socorro Soares.
Cassandra Dias – Diretora de Ensino e Pesquisa do IPSIN
Argumento geral
Este Seminário inicia-se pela “Relação do sujeito com o Outro” e fundamenta-se a partir das estruturas nas quais Freud mostra que uma “análise se desloca e opera pela relação entre dois “sujeitos” presentes na análise – analisado e analista”[1]. Lacan aclara que: “Em Freud, fala-se, é claro, de objeto”[2] quando de certo tipo de relação recíproca pelo viés de um objeto. Sendo o objeto perdido, nunca encontrado, a primeira forma sob a qual aparece a relação de objeto. Para Freud todo modo de encontrar o objeto é por se tratar de um objeto perdido, a ser apreendido e encontrado noutra parte que não no ponto onde se procura-o.
A função do objeto como complementação a alguma coisa em forma de furo, abre uma primeira questão: o que há de comum entre o objeto fóbico e o fetiche? Questão oportuna que nos conduzirá ao desenvolvimento traçado por Lacan e que culmina ao dizer que só pela relação de objeto torna-se possível a distinção entre a função de uma fobia e a de um fetiche, ambas sob um fundo de angústia fundamental e sob uma proteção como uma solução
Mais adiante, constrói um aparato teórico sobre as formas de falta de objeto, inicialmente, acentuando: “O objeto genital, para chamá-lo por seu nome, é a mulher”[3] . Passagem que provoca interrogação: a que se articula e o que quer dizer? Está a falar de falta e objeto, e inteira com a ideia de objeto não ser harmônico na relação sujeito-objeto.
Neste ponto refere-se a Freud quando este mencionou “algo não funciona”[4], há uma hiância. Lacan envereda pela clínica e ao tratar das neuroses elege o obsessivo para falar do desejo na relação de objeto. Com isto introduz a relação dual como real e o surgimento desse objeto imaginário privilegiado, o falo, elemento terceiro imprescindível à noção da relação de objeto, assim como a relação mãe-criança que compõem o esquema inaugural: falo-mãe-criança – a tríade imaginária. Caminho tomado por Lacan utilizando esquemas à direção e manejo da análise, quando se faz a pergunta: “O objeto é ou não o real?”[5] e, “O que se encontra no real é o objeto?”[6].
Questões sob as quais Lacan tem a intenção de tocar pontos fundamentais da clínica e o permitem articular a relação de objeto, seu acesso ao real e ao término de uma análise. Sigamos a nos debruçar sobre este Seminário e retirar pérolas para a nossa prática analítica.
Sandra Conrado e Socorro Soares – coordenadoras
