A ruptura com o falo na toxicomania
Coordenação: Cassandra Dias
Coordenação Adjunta: Cláudia Formiga
- Encontros quinzenais, às quintas-feiras, 20:00
- Início: 05 de março
- Atividade remota com transmissão via Zoom
- Inscrições: https://forms.gle/nkDkfWuF2iXCnwYn7
Para o ano de 2026, o Núcleo de Toxicomania do IPSIN dará continuidade ao seu programa de investigação iniciado em 2025 acerca da toxicomania enquanto uma solução de ruptura.
Tomando como tema norteador o 5 Colóquio Internacional TyA que ocorrerá em Paris, continuaremos interrogando o lugar da droga frente à relação sexual que não existe.
Como operador simbólico, o falo sintetiza o fato de que não existe, para a espécie dos falantes, um saber prévio que trace um caminho determinado até a satisfação. Não é o que acontece no reino animal, onde as escolhas se orientam pelo instinto, o comportamento sexual é ditado previamente e a escolha de um parceiro não está atravessada pelo mal-entendido.
No reino dos falantes, onde não há um saber no real que nos oriente acerca do sexual, o que impera é o campo do mal-entendido.
Nesse contexto, os chamados novos sintomas apresentam uma posição subjetiva para os impasses com o sexual e a castração distanciada do uso do significante e do sintoma, sendo a toxicomania uma dessas respostas, que consiste em uma experiência de negação da castração e de ruptura com o significante fálico.
O casamento com o falo assegura a inscrição do sujeito na partilha sexual, possibilitando sua localização como homem ou mulher ao se dirigir a um parceiro. Isso não significa que o usuário de drogas não se relacione sexualmente — ele o faz. No entanto, pode-se considerar que seu verdadeiro parceiro subjetivo é o próprio corpo, fonte de toda satisfação. Afinal, é justamente nos efeitos da substância sobre o corpo que ele experimenta como certo o encontro com o gozo.
Eric Laurent (1988), no artigo “Três observações sobre a toxicomania”, afirma: “Não é uma formação de compromisso, senão uma formação de ruptura”. (LAURENT, 1997, p. 16).
Portanto, interrogar o casamento com o pequeno pipi assim como a sua ruptura, nos permite interpelar a subjetividade de nossa época, tendo como horizonte a premissa da ruptura fálica e a primazia do caráter autista do gozo cínico.
Para tanto, daremos continuidade ao percurso iniciado no ano passado a partir da discussão entre adição, sintoma e corpo. Partiremos da pragmática lacaniana explorada por Jésus Santiago para aprofundarmos a tese lacaniana sobre a droga, desenvolvida por Fabián Naparstek e, posteriormente, adentramos na clínica do excesso fundamentada por Domenico Cosenza, onde a toxicomania e outros soluções sintomáticas estão inseridas.

